sexta-feira, 31 de outubro de 2008

continuação 3

O autor também confere elevada importância ao conforto, alcançado por determinadas acções por parte do macaco pelado. Desmond Morris critica a desvalorização das acções de limpeza em detrimento de outras como a alimentação, luta, fuga e acasalamento, pois considera que as primeiras são vitais, como por exemplo, na manutenção do calor do corpo, fuga a predadores, para evitar infecções e parasitas, etc.

A catadela social surgiu devido à dificuldade que os primatas apresentavam em catar e tratar do seu pêlo ao nível das costas, pescoço e braços. Assim, esta actividade cooperativa e não agressiva despertou visando o bem dos próximos. Actualmente, é mais de ordem social do que propriamente estética (reforçar laços de amizade) e como reforço dos estalidos dos lábios (forma de interacção a nível sonoro, que pode servir como dispositivo de apaziguamento ou tranquilizante). Estes últimos foram substituídos pelo sorriso no macaco pelado e a catadela social foi substituída por vocalizações verbais.
O autor considera quatro níveis de conversa: conversa informativa (nomear objectos, referir o passado, o presente e o futuro), conversa (confirmação verbal dos nossos sentimentos), conversa (falar por falar; conversa estética ou por brincadeira) e conversa (cavaco cortês e sem sentido dos encontros sociais). Este último é visto como um reforçamento do sorriso acolhedor e mantimento do ajustamento social, e desenrola-se durante os encontros sociais; é neste tipo de conversa que o autor se foca mais.

Outro aspecto fulcral deste ponto é a progressão apenas dos macacos pelados, pela catadela social, em assistência médica. Dando como exemplo fundamental o chimpanzé, que cuidam de ferimentos físicos, extraem espinhos, etc, aos membros da sua população. Esta assistência médica cooperativa é mais do que catadela social. A espécie humana, com a sua inteligência e cooperação, desenvolveu-a a um nível mais complexo.

Falando agora da temperatura corporal adequada, que nos mamíferos é constante e elevada, e que aumenta muito a nossa eficiência fisiológica, esta não pode varia mais do que 1º-1,5º C, independentemente da temperatura ambiente.
Se a temperatura exterior varia demasiadamente sentimos logo um desconforto agudo e são desencadeadas respostas voluntárias e automáticas para estabilizar a temperatura. Se o ambiente aquece demais, dá-se a vasodilatação que aumenta a temperatura corporal e favorece a perda de calor através da pele, estimulando-se a sudação (glândulas sudoríparas). Se o ambiente arrefece em demasia, dá-se a vasoconstrição (ajuda a conservar o calor) e arrepios (chegam a produzir três vezes mais calor do que em repouso).
Através de alguns métodos culturais somos capazes de combater a perda de calor (fogo, roupa, isolamento das habitações) e combater o aumento de temperatura (ventilação e refrigeração). Contudo, nada disto altera a temperatura do corpo, mas sim do ambiente exterior.

Apelando à complexidade da sudação, Desmond Morris explica que certas respostas das glândulas sudoríparas não estão relacionadas com ou somente com a temperatura, reagindo estas também a outros estímulos, nomeadamente de foro emocional. Por exemplo, as glândulas sudoríparas das palmas dos pés e das mãos apenas respondem a estímulos de foro emocional, enquanto que as das axilas e da testa respondem quer a estímulos de foro emocional quer a nível da temperatura.

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